quarta-feira, 13 de maio de 2009

Reflexões sobre a "ação"

Olá pessoal,

Durante as quatro semanas de estágio, estaremos vivenciando nas nossas aulas o exercício de reflexão sobre a prática pedagógica desenvolvida na Escola Profesor Britto no bairro do Joaquim Romão. Sabemos que diferentemente da reflexão na ação, a reflexão sobre a ação diz respeito às análises realizadas pelos sujeitos a posteori sobre as características de suas ações. O profissional então analisaria a sua prática aplicando instrumentos mais conceituais na busca de uma melhor compreensão e reconstrução da mesma. Vale ressaltar que esses processos não são independentes e sim se complementam na garantia de uma prática racional.

Contribuindo para a reflexão dessa questão, Smyth (1991), sugere um ciclo em quatro fases que representam os tipos de reflexão que os docentes deveriam adotar:

1. Descrever: o que eu faço?
“Quais são minhas práticas?”
Exemplo de práticas que refletem:
· Regularidade
· Contradições
· Fatos relevantes
· Fatos não – relevantes
Incluindo os elementos:
· Quem?
· O que?
· Quando?
2. Informar: qual o significado do que eu falo?

“Quais teorias se expressam em minha prática?”

Analisar as descrições para identificar as relações entre os elementos. Sobre esta base, formular proposições do tipo: “parece como se...”
3. Confrontar: como cheguei a ser dessa maneira?
“Quais são as causas?”
· Pressupostos, valores, crenças?
· De onde procedem?
· Que práticas sociais expressam?
· O que é que mantém as minhas teorias?
· O que limita as minhas teorias?
· Que conexões há entre o pessoal e o social?
· Servem a que interesses?
4. Reconstruir: como poderia fazer as coisas de forma diferente?
“Como poderia mudar?”
· O que poderia fazer de forma diferente?
· O que considero pedagogicamente diferente?
O que tenho de fazer para introduzir essas mudanças?


Proposta de Trabalho:

Com base no meu texto sobre Professor Reflexivo e em sintonia com o ciclo de reflexão proposto pelo autor, gostaria que cada um de vocês postassem no blog uma primeira reflexão sobre a ação vivenciada no estágio nessa primeira semana 11/05 à 15/05. Procurem externar as problemáticas, dilemas etc, mais não esqueçam de também refletir sobre as possíveis mudanças.

Ah! Não deixem de comentar no blog dos colegas.


Beijos,

Socorro Cabral

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Redação de Estudante carioca vence concurso na UNESCO

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES
Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para Professores. Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases. REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ
'PÁTRIA MADRASTA VIL'
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil. A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso? Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos. Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade' A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.Favor divulguem, aos poucos iremos acordar este "Brazil". Não sei se a vida é curtaou longa demais para nós.Mas sei que nada do que vivemosTem sentido, se não tocamos o coração das pessoas."Cora Coralina"

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gestão da Classe


Oi pessoal,

* Não esqueçam de encaminhar para meu e-mail os conteúdos das disciplinas que os docentes entregaram a vocês.Vou fazer um mapeamento e tentar ver os pontos comuns;
* Na próxima quarta ( 29/04) estaremos socializando nossas produções a cerca do Projeto de Estágio. Todos precisam comparecer para compreender a proposta dos colegas, tirar dúvidas e sugerir. O trabalho cooperativo é nosso foco durante o estágio.
* Começem a elaborar os planos de aula, de acordo com o formato que eu disponibilizei;
* Não esqueçam das atividades de alfabetização, para que nossos alunos não fiquem excluídos do processo. O texto de cada intervenção pode ser trabalhado para todos, porém as atividades devem ser diferenciadas.
* Passei no blog de todo mundo e deixei comentários. Vejam lá as sugestões;
*Procurem também comentar no blog dos colegas. Blog não é TV que a gente assiste, e sim interface de comunicação;
* Qualquer dúvida, o canal de comunicação está aberto via: e-mail, blog e celular.



Um cheiro e bom trabalho.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Além das massas

O projeto RIPE (Rede de Intercâmbio de Produções Educativas), coordenado pelo Grupo de Pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologias (na qual sou membro), esta concorrendo ao Festival Bibliofilmes, com o filme "Além das massas" na categoria vídeo de uma critica/recomendação a um livro. A votação popular começará amanhã, às 17h de lá (ou seja, 14h daqui) no sítio http://www.bibliofilmes.com, e encerrará às 17 horas do dia 23.

Estou contando com seu voto!


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Alunos de Pedagogia em Pesquisa na Escola Professor Brito








Dotados de dispositivos de pesquisa construídos coletivamente em sala de aula, os alunos do 8º semestre de Pedagogia da UESB, começaram dia 30/03/2009, sua pesquisa na escola campo de estágio. Uma das primeiras atividades definidas pelo grupo, foi a observação do contexto.



Questões interessantes que os alunos estão observando no portão da escola:
Quais as marcas da sociedade atual estão na entrada?
Quais as marcas da história?
Quem controla o portão e de que maneira?
Como são os traseuntes que por aí trafegam?
Quem passa, o que passa e deixa qu por aí trafegam?
Quem passa, o que passa e deixa de passar pelo portão da escola?
Para Lima (2002, p. 28-30):
[...] o portão da escola representa para o estagiário uma oportunidade de reflexão. Deixar-se ficar no portão da escola é uma experiência de compreensão do que ocorre lá dentro. O panorama que se descortina, visto a partir do espaço escolar, pode trazer, à tona alguns aspectos que talvez nunca tenhamos observado antes: a vida da comunidade, a movimentação na frente da escola, costumes, preferências e regionalidade.



Comentem sobre as observações de vocês.

Pesquisa no Estágio... Como e Para Que?






A questão da formação de professores pesquisadores, é uma idéia que vem sendo debatida e defendida por inúmeros educadores, em diferentes áreas do conhecimento. Nos diferentes seminários, grupos de pesquisa e em textos legais, essa é uma questão sempre atual. Acredito que a função didática da pesquisa na formação de professores, pauta-se na importância de desenvolvermos sujeitos com autonomia, contrapondo-se a uma formação meramente tecnicista, que espera soluções vindas de alguma divindade. É só através da pesquisa, que poderemos vivenciar a reflexão crítica sobre a prática pedagógica, buscando soluções que não estão prescritas por especialistas. Assim, na formação inicial, precisamos instrumentalizar nossos alunos a exepienciar essa perspectiva, pois é quando vão sendo construídas de forma mais sistematizadas as imagens sobre a profissão. Na disciplina de prática de ensino, essa discussão é fundamental, pois a construção da etnografia da escola campo de estágio é um dos objetivos primeiros que precisa ser resgatado.

Uma metodologia que vem dando bons resultados...

Partindo da perspectiva de que o educando aprende quando ele se envolve no processo de produção do conhecimento, e na interação com o outro, começo o trabalho construindo mapas conceituais, onde os mesmos compartilham suas expectativas e interesses em relação a pesquisa de observação. Logo após, em pequenos grupos, os educandos confrontam esses mapas e começam a cruzar as inquietações comuns. Como mediadora do processo, listo todas essas inquitações e problemas de pesquisa, e na mediação com os mesmos, vou criando noções subsunçoras e posteriormente categorias maiores. De posse dessas categorias, construimos coletivamente nossos objetivos de pesquisa e logo em seguida os dispositivos. Todo esse movimento se dá de forma colaborativa e é compartilhado com os colegas, que podem sugerir e intervir na construção do outro. Nesse sentido, é de suma importância o exercício do diálogo e a partilha de experiências. De acordo com André (2006), faz parte do desenvolvimento social do indivíduo aprender a conviver e a trabalahr com o outro; aprender a ouvir e a se fazer ouvir, expressar idéias e opiniões próprias e acolher pensamentos e opiniões divergentes". É claro que todas essas habilidades, só podem ser exercitadas, se proporcionarmos espaços concretos de construção.


terça-feira, 31 de março de 2009

Quem vai ensinar o que aos alunos do século XXI?

Por Caio Barreto Briso, Kleyson Barbosa, Luís Guilherme Barrucho e Sofia KrauseUma sala de aula com carteiras enfileiradas diante de um quadro negro. Os alunos, calados, prestam atenção no professor. Memorize esta cena: ela está com os dias contados. A entrada das novas tecnologias digitais na sala de aula criou um paradigma na educação: como tais ferramentas, que os alunos, não raro, já dominam, podem ser aproveitadas por professores que, frequentemente, mal as conhecem? As escolas têm, pela frente, um desafio e uma oportunidade. O desafio: formular um projeto pedagógico que contemple as inovações tecnológicas e promova a interatividade dos alunos. A oportunidade: deixar para trás um modelo de ensino que se tornou obsoleto no século XXI.O novo aluno é o responsável por esta mudança. Por ter nascido em um mundo transformado pelas novas tecnologias, ele exige um professor e uma escola que dialoguem com ele, e não apenas depositem informações em sua cabeça. E mais: ele quer ser surpreendido. Tarefa difícil, pois o jovem estudante de hoje encontrou, na internet, uma fonte de informações nunca antes existente. Livros, almanaques e enciclopédias eram as principais ferramentas de pesquisa até o início da década de 90, quando os computadores começaram a chegar às residências do país. Agora, com um clique, ele pode acessar todas as enciclopédias do mundo. O que muda com isso é, em primeiro lugar, o papel do professor."É um momento difícil para o educador, pois o modelo de ensino que ele aprendeu era baseado no poder que ele representava na sala de aula, típico de uma sociedade mais passiva que a de hoje", diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio e diretora executiva da Instructional Design Projetos Educacionais. Mas o novo aluno, segunda Andrea, é diferente: "Ele quer participar, quer fazer suas próprias escolhas. Os professores têm que se reinventar". Para ela, o professor não pode mais ser uma figura autoritária: ele precisa ser capaz de aprender com os educandos e de admitir que não tem todas as respostas.As palavras de Andrea encontram eco fora do Brasil. O americano Marc Prensky, um dos principais consultores educacionais dos Estados Unidos e designer de jogos educativos, afirma ser necessária uma nova relação entre professor e aluno, baseada em uma parceria: "O estudante faz aquilo que tem de melhor (como buscar informações e usar as tecnologias para criar algo novo), e o professor, por sua vez, também faz o seu melhor, que é orientar reflexões, avaliar o comprometimento dos alunos e criar um contexto favorável". Por "contexto favorável" entenda-se uma nova pedagogia: algo como deixar que os alunos aprendam por seus próprios caminhos, mas com a orientação do professor.Se o papel do educador está em transformação, as escolas também vivem um período de transição. Elas precisam se adequar não só ao novo aluno, mas também à nova formação de seu corpo docente. "A internet tornou o aluno mais livre. Ele pode aprender em qualquer lugar, a qualquer hora. A escola já sabe disso, mas ainda é muito tradicional, pois resiste à mudança inevitável", acredita o espanhol José Manuel Moran, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP. Mas para mudar não basta trocar o quadro negro pela lousa digital: é preciso ir além e inovar na forma de ensino, pois, como acredita Moran, a internet e as novas tecnologias são um ponto de partida. Nunca de chegada.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Revista da FAEEBA



Oi pessoal,

Nessa revista da FAEEBA de número 29, tem uma resenha de minha autoria sobre o livro da Josso - Experiência de Vida e Formação. Vale a pena conferir e comentar. As páginas são: 247 e 248. Já fiz o link com a imagem. É só clicar, ler e comentar.

Vamos ao debate!

domingo, 15 de março de 2009

Formar o professor pesquisador: um desafio para as Universidades.


Com a discussão do texto de Maria Teresa Esteban " A pesquisa como eixo da formação docente", demos início a aula do dia 11/03, utilizando como dinâmica de leitura, "idéias que se entrelaçam". A dinâmica consiste na entrega de um trecho relevante do texto, para cada dupla de alunos, e em seguida, é solicitado que os mesmos argumentem o que compreendeu do mesmo, articulando a sua formação docente. Questões como: a dicotomia teoria e prática, a importância da teoria na pesquisa, o distanciamento da academia das pautas da escola pública, a importância da professora da escola básica produzir conhecimentos etc, foram discutidos de forma profunda na nossa aula.Em suas investigações sobre essa temática, Zeichner (2002) denuncia a divisão entre o professor pesquisador e o pesquisador acadêmico. Se por um lado os acadêmicos consideram as pesquisas dos professores como menores ou triviais, por outro, os professores não se sentem contemplados nas produções acadêmicas, pois a própria linguagem utilizada nas produções só faz sentido para os pesquisadores de determinada comunidade científica. Além disso, os professores com freqüência são descritos na pesquisa acadêmica de forma negativa, gerando uma rejeição em relação a estes estudos. “Provavelmente, como grupo, professores não são mais sexistas, mais racistas, e mais incompetentes do que os pesquisadores acadêmicos” ressalta Zeichner (2002, p.211).Contra essa lógica, o autor recomenda que nas propostas de formação de professores, os docentes sejam tratados como profissionais que pensam e têm autonomia sobre o seu trabalho, tomando decisões frente à utilização dos novos conhecimentos na sua prática, rompendo com a perspectiva de treinamento de habilidades ou receituário de técnicas.

sábado, 7 de março de 2009

Provocando...


O importante é ressaltar que, para conhecer como o outro experimenta a vida, faz-se necessário o exercício sensivelmente difícil de sairmos de nós mesmos. Há que nos desdobrar-nos, revirarmos, suspendermos preconceitos, criticarmo-nos, abirmo-nos a certa violação de habitus sagrados e solidificados da sociedade do “eu”. Experiência intestina e radicalmente relacional da intercriticidade. (MACEDO, 2006)

Para refletir e comentar:
Faça uma analogia entre a citação do professor Roberto Macedo, e o movimento de pesquisa que será desenvolvido por você no estágio de práticas pedagógicas no ensino fundamental.